09/07/2010

sentimentos, de vidro inquebrável, transparente

Crap, crap, crap. Ia começar por escrever sobre como era ter dez anos, cortesia duma busca sobre o que escrever. História verídica - essa treta quase que ia confinando quaisquer interesses passageiros neste momento ao conselho dum qualquer site de ajuda a escritores. Bullshit, lembrei-me do meu propósito mais óbvio, para além do hedonismo monótono da letargia pós-aulas.

Stop, stop, stop. Arranquem a agulha do gramofone, que não estou para ouvir essa história de novo, assim como ninguém informado e minimamente inserido neste contexto estaria, sobretudo após quase cem entradas da mesma reflexão escrita noutros vincos. O meu propósito é a busca da perfeição. Isto parece saído dum anúncio Lexus, que até vi hoje, mas faz todo o sentido, se repararmos bem.
Começo um projecto, e estou imediatamente a conceber as próximas duas ou três iterações futuras, planeando a obsolescência dos elementos manipulados pelo meu "génio", assim lhe chamaremos, de modo tão mecânico, com tolerâncias de construção e produção que apenas falham usualmente quando uma influência negativa dos restantes surge, os que me afastam do propósito-chave, de modo a poder controlar e manipular com precisão o que surge e o que as massas imitam em seguida do lançamento completamente previsto e limitado em ambição somente pelo dever da continuidade.

Uma súbita vontade de melhorar, refazer, testar, escrutinizar e optimizar cada elemento microscópico desde o mais irrelevante ao nuclear manifesta-se de cada vez que coloco as mãos em algo, causando assim a dispersão de muitos próximos, fugidos do fogo intenso que é o meu perfeccionismo, com medo de que os seus esforços tenham sido em vão, pulverizados pela intolerância à falha e ao erro.
Isto aplica-se a mim próprio. Quando a tentativa de melhoria e evolução é considerada um fracasso pessoal, aquela credibilidade cumulativa percepcionada tende a desaparecer, sob as críticas ao novo produto.

Isto significa que não posso falhar na próxima maior decisão que fizer, sob risco de implodir as plataformas já existentes.

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