10/09/2011

neutral, parte III

"Foi uma jogada estratégica, devo admitir, da parte do modelo inconsciente do auto-controlo e do pulso firme sobre todos os domínios tangíveis. Ceder uma percentagem de controlo para poder, em sua vez, colocar as suas tenazes obssessivo-compulsivas numa grande fatia de sanidade imaginária. Perífrase à parte, quero claro referir-me àquela sensação estupefaciente de carácter impulsivo, poderosíssima em cada composto químico cerebral assim como falsa até ao final dos seus dias, em natureza perceptível. Ao obter sanidade, essa percentagem transforma-se sucessivamente num instrumento de negócios poderoso, multiplicando o auto-domínio do indivíduo e aumentando exponencialmente a sua habilidade de exercer a função que lhe é, em casos selectos, atribuída: a liderança."

Como viram, meus caros, introduzindo o elemento exterior este crescimento perfeitamente saudável (efeito secundário da interacção humana directa), incentivável com ideários emitidos por vias sociais, como já estudámos, encontra-se sob pretensão de ruir após o culminar do seu mandato. Arriscar qualquer que tenha sido a condição básica da cedência de controlo seria o equivalente a arremessar uma bola de demolição maciça ao segundo e último pilar duma ponte - quer em termos de subtileza como de eficácia - causando uma perda de controlo insuperável em muitos casos, como a cultura popular tanto satiriza. Ao contrário do que se pensa, este corte figurativo de raiz não é o modo mais eficaz (atente-se no termo, que desconsidera por inteiro quaisquer outras variantes do sujeito) de minimizar as baixas. Em vez disto, é ideal conceber atempadamente uma fuga deste sistema rotativo, cuja previsibilidade do fim é evidente após a situação delimitadora do poder, anteriormente abordada.
Necessário então para conceber uma rotina de fuga é, em primeiro lugar, assegurar que a situação actual pode ser sujeita a intervenções construtivas, de modo a permitir suportar posteriormente a vida desse elo recompensador. Caso seja, confiando na capacidade de análise e nas avaliações internas do humano, deve ser tentada sempre em primeiro lugar, garantindo assim a simplicidade dos métodos a utilizar. Não havendo qualquer hipótese de sustento, a separação gradual ou a negociação da partição de factores a tomar em conta são hipóteses válidas como escapatória semi-urgente. Os casos menos urgentes podem servir-se igualmente destas fraquezas do elo oposto para seu benefício, embora perderia credibilidade e valor intrínseco se os revelasse prontamente. Visto que não há mais questões, passaremos então à introdução destas tácticas de escapatória semi-urgentes.

"Ainda bem que me inscrevi em Pseudopsicologia, este semestre será de longe bem mais interessante do que previa. Parece que estes autores envolvidos entraram na minha mente e conseguiram copiar exactamente aquilo que pensei sobre isto! É como se falassem para mim sobre isto... Merda, esqueci-me do relatório sobre aquele caso... ah, faço depois, não me lembro agora e não do que fazer quanto ao resto do texto."

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