O conjunto de ímanes de neodímio oferecido pelo Comité como prémio de consolação era, observado pela face desapontada do Dr., redutor. Insultuoso. "Um verdadeiro descalabro e um par de estalos de luva branca na cara da Ciência", apontara diligentemente no diário do projeto, pela primeira vez imprimindo resquícios de personalidade e libertação emocional no arquivo técnico e mecânico. Todos os dias passava pela maleta ainda por estrear, no expositor de vitórias poeirento. Não era indivíduo de gastar tempo com o passado e com a glória prévia. "Há que prosseguir a análise diária, independentemente do risco associado de encerramento do laboratório pelas autoridades competentes de regulação." - anotava à sexta chávena de café junto ao bar decrépito do complexo laboratorial, que havia visto melhores dias.
Que não queriam mais experiências com humanos, o foco estava no ambiente e na energia, etcetera. Estava consciente do impropério ético que a sua experiência significava, no mundo científico, não abandonando nunca do seu consciente os relatórios lúcidos dos sujeitos. Amaldiçoavam-no à exaustão. Tal era a qualidade do seu trabalho que, na hora de comprovar e analisar as amostras produzidas, a precisão, o realismo da evidência produzia perceções intoxicantes. O Comité não sonhava nas suas horas mais obscuras com tal cenário - apenas lhe foram apresentados os menos impressionantes valores empíricos dos testes.
Passadas semanas após o evento, os sedimentos do falhanço institucionalizado do Comité começavam a dar sinais de esbater. O Dr. estava menos tenso e mais acessível com os seus alunos, partes cruciais da experiência conduzida. Até que ponto, nem eles imaginavam. As análises conduzidas, aparte da distração empregue pela universidade de "disciplina laboratorial de Psicologia", eram avassaladoras no espectro compreendido. Estudantes e sujeitos de teste estavam emparelhados, com arquivos inteiros de conversas, pesquisas de background, padrões de personalidade e outras parafernálias da engenharia social armazenados nos laboratórios privados do Dr., sem possível acesso externo. Estes serviriam para construir as bases operacionais da sua musa, do projeto ainda menos apropriado e mais polémico que os complexos testes duplamente-cegos conduzidos por estudantes do quinto ano. Por entanto, nem um olhar público seria concebível. Secreto ao máximo. Controlar os demais é uma premissa demasiado poderosa para ser conhecida pelo déspota errado.



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