11/03/2012

rock solid

Há dias em que penso, a toda a hora: "Vou ter um meltdown, agora mesmo. Aqui e agora, à frente de todos."
Não costuma acontecer, é evidente. Chama-se a isso civilização, como previamente abordei numa dissertação confusa. Vontade não falta, porém. (Que queixoso, normalmente rio-me destes indivíduos mas hey! Este blog é meu.)

Como seria de esperar, agora passo pelo semi-doloroso e humilhante processo de admitir que a premissa que lancei no último texto foi considerada, após uma curiosamente sóbria mensagem de texto no meu drunken stupor de quarta-feira passada ao destinatário mais conceituado (por assim dizer), um grande erro. Sexo sem compromissos, reiterei. Ainda para mais como arranque, se me faço entender.
O gajo disse que não, que se podia voltar a apaixonar por mim (e assim este o temia, visto que já arrancámos e parámos mais vezes que um automóvel velho no seu tempo de vida), drama drama who cares.

Ele está estranhamente certo, tenho de admitir. Eu próprio me menti sobre esse evento, que serviria para acalentar as reminiscências dos bons tempos. O comité de boas vindas tão esperado. (Aparte: ainda não vi o meu nas visitas diplomáticas a Letras.)
E isso dói, por muito realista e evidente que acabe por ser. Queria participar naquilo para não ter de dizer adeus - assim como os espanhóis preferem o eufemismo hasta luego em detrimento do inevitável adiós que todas as partes envolvidas conhecem como destino final.

Claro que agora cada vez que acedo à internet (sempre e de modo altamente intervalado) projetam-me a sombra do passado, em termos muito pouco originais. Aí ocorre um fenómeno fantástico que ando a desenvolver: o efeito de beleza pós-relação.
A premissa é relativamente simplista: quando um termina uma relação com qualquer espécie de arrependimento ou sentimentos em stand-by, a atratividade do ex-parceiro é diretamente proporcional ao nível de desespero. Tanto quanto me concerne, ele está super atraente, e desejo (não tão) secretamente que lance uma nova foto em que fique horrendamente desfavorecido para o efeito se desvanecer com maior celeridade.

Neste rodopio, as grandes vantagens são evidentes, embora não as pinte como cenários perfeitos e/ou exequíveis: o foco está diretamente nos estudos/carreira, o que é ótimo, pois assim não me perco como o fiz no primeiro semestre (pois, pois) e, ainda, posso tentar encontrar alguém mais apropriado aos meus interesses.
Vantagem suprema de ter alguma experiência no meu inventário.

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