21/01/2013

I

E virou-se do nada, como quem até tinha um motivo para falar, "que não tenho mais por onde ir, não sei o que fazer".
Falhou o registo: entrada não aceite.

Ecoa o som pelos acentos metálicos horizontais. Mais uma sumida.

Desde há uns poucos tempos incertos que a força coletiva se tinha apagado pela manhã pouco silenciosa. Sejamos honestos, para propósitos de catálogo - não passava mais que uma parade de javardos e crentes na teoria da continuidade. Num baile ascendente, patrocinado claro por uma qualquer associação juvenil na vanguarda do que era considerado "ser fixe", passou-se mais um totalmente banal dia.
A total ausência de Visionários é que pontuou os debates processuais, quase como se fosse expectável um reconhecimento oficial da anomalia. Quase como se a sua aparente falha fosse propositada.

Meses passaram. Degradam-se espaços e pedaços de lixo aleatórios pendentes da muralha de aço e outros metais de nome ameaçador. Estavam três Auscultadores no processo de instalação de equipamentos de observação quando, fruto da passada vaga de redução material, o cabo de suporte e a roldana empregue, afixada a um dos poucos mausoléus de pedra ainda resistentes, se solta da fachada do edifício.

O aparelho de acabamento branco brilhante e óticas ameaçadoras despenha-se de uma altura de cerca de 37 metros, para o observador de varanda. Um dos Auscultadores é levado instantaneamente para fora de consciência. Presumivelmente, de vida.

Um conjunto de novos indivíduos na mesma indumentária azul ciano com acentos de prata corre até ao local de impacto. A transiência destas formas de vida é algo de fascinante.

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