16/01/2010

3D

Sem inspiração, não sabia ao certo o que iria ser o membro superior do post du jour. Até ao momento em que entrei no Facebook e lá estava, uma foto fenomenal que, no primeiro instante que a vi, soube que algo tinha de ser dito. Sublime, genial, verdadeiro. Algo que eu ainda aspiro a fazer, apesar de todos os progressos levados a cabo, as fundações da criatividade.

Esta foto. (Obrigada, Rafa) A composição é incrível. Aquele banho laranja, qual radiação alienígena, foi o suficiente para me lembrar de tanto.

Uma tarde de Outubro, os dias revelando as suas verdadeiras cores, reflectidas nas disciplinadas persianas. A consciência da subjectividade total. Um sujeito, aguardando a revelação, meditando os seus pensamentos no espaço outrora impessoal. Foi um holograma, agora passara à realidade. Enquanto aprofunda as suas incertezas - "isto é real?" - o mundo à sua volta traça-se mecanicamente, na sua única existência amaldiçoada da perpendicularidade. Mas este indivíduo contém a resposta. O caos total contido sobre forma de gente, capaz de aniquilar esta falsa organização e devolver a vida ao mundo. A aleatoriedade que uma expressividade artificial,  retorcida de modo robótico, tanto quis enclausurar numa condensada memória.

É a face sombreada de quem escolheu nada ensinar, nada mostrar, para que todos os outros aprendam que, quando o sistema metálico mostrar a sua ferrugem, ela é a supremacia sobre todas as formas. Que naquele momento está à espera daquele alguém capaz de deduzir algo tão acima da compreensão.

É a silhueta de alguém à frente. Como se estivesse no layer superior duma composição Photoshop. Como se estivesse acima na linha do horizonte de Nova Iorque. Como se estivesse quase aos nossos olhos num cinema 3D. Como se estivesse anos-luz à frente no tempo.

Diz-se que o laranja é a cor da originalidade. Não poderia concordar mais com essa afirmação. Afinal, nem o vermelho tem essa energia mais poderosa que um milhão de supernovas.

1 comentário: